Autor Tópico: Nove Noites - Bernardo Carvalho  (Lido 66 vezes)

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Nove Noites - Bernardo Carvalho
« em: 11/01/2009, 14:45 »
Nove Noites: um americano esquecido na selva brasileira




Lançado em 2002 pela Companhia das Letras, o sexto livro do carioca Bernardo Carvalho intitula-se Nove Noites. Ganhador o prêmio de literatura da Biblioteca Nacional e Portugal Telecom, a excêntrica obra relata a história de Buell Quain, um estadunidense que vem ao Brasil em 1939 pesquisar o cotidiano dos índios Krahô, em Tocantins e se suicidou cinco meses depois. Segundo seus relatos, ele teria adquirido uma doença misteriosa após transar com uma enfermeira negra no carnaval de Copacabana. A doença em questão – que não apresenta sintomas físicos – o teria atormentado durante muito tempo, e após perceber que ela não existia entre osíndios e tampouco era contagiosa, Buell Quain decidiu se enforcar.

Sessenta e dois anos depois, um misterioso homem lê um artigo no jornal contando a história do antropólogo. Fascinado, o homem – em momento algum o livro revela o nome do personagem – decide pesquisar sobre a vida de Buell, de modo a entrar num complexo e intimista quebra-cabeça. É possível perceber o quão esse homem parecia se identificar com o norte-americano, uma vez que ao relatar sobre sua vida, ele revela ao leitor que quando criança viveu entre os índios por um tempo e também se sentiu só diante daquela cultura inusitada e ignorada pelo chamado “homem moderno”.

Paralelo à sua incansável busca,o livro também registra a carta de um humilde sertanejo – o livro também não revela seu nome – a um destinatário desconhecido. Um homem que também cresceu entre índios, ele aparenta saber mais sobre Buell Quain do que qualquer pessoa que o tivesse conhecido, um fato surpreendente já que os dois se conheceram semanas antes dele se matar. Entretanto, o caipira também possui dúvidas quantoa os motivos que o levaram a cometer tal ato: segundo ele, as nove noites não consecutivas em que eles se encontraram para conversar não foram o bastante para entender os acontecimentos que o levaram a se matar.

O leitor também é conduzido afatos históricos da época: muito se fala sobre o Imperialismo Norte-Americano – e o preconceito vivido por Buell por isto – e as vésperas da Segunda Guerra Mundial, dando mais veracidade e realismo à trama. Além disso, muitos nomes de antropólogos citados na história são reais, o que laça a história de Buell de modo ainda mais verossímil.

E assim, dividido entre os dois relatos, o livro versa sobre temas como o medo, a solidão, a compaixão, a obsessão e em especial sobre a sexualidade humana. Cobrado recentemente nas listas de livros da UFU (Universidade Federal de Uberlândia) e UFV (Universidade Federal de Viçosa), a obra promete ser ainda mais esmiuçada eanalisada por muitos críticos de todo o Brasil. E lembre-se: “Isto é para quando você vier."


Fonte

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