Procurei no Pesquisar e não encontrei, portanto...
Tópico feito para discutirmos sobre albúns conceituais: letras, enredos, continuidade das musicas, etc
Artigo sobre o assunto:
(É antigo, mas já da uma noção do que são cds conceituais o/ )
2004: O ANO DOS ÁLBUNS CONCEITUAIS
A idéia por trás de um álbum conceitual é simples: pega-se uma história (o tal conceito), que é dividida em diversas partes, e transforma-se cada uma delas em uma música. No final, você tem uma única idéia permeando todas as canções daquele álbum, sendo que uma é a seqüência direta da anterior. É mais ou menos como em um livro, em que cada música funciona como um capítulo daquela história, que, desnecessário dizer, começa na primeira e termina na última nota.
Desde a década de 1960, álbuns conceituais estão presentes no mundo do rock. No caso do heavy metal, essa presença é ainda mais constante. Em determinados estilos, como o heavy metal melódico, cujas maiores influências são histórias medievais, fantasia, etc., é quase obrigatório o lançamento de pelo menos um álbum do gênero por ano. E 2004 não foi diferente.
No entanto, não foram só as bandas de metal melódico que lançaram álbuns conceituais no ano passado. E, surpresa, as inspirações foram muito além das influências medievais e mundos fantásticos. Do black metal ao metal progressivo, houve um bom número de discos conceituais e como é impossível conhecer todos eles, decidi separar um espaço para falar sobre o que apareceu de melhor neste gênero pelos últimos 12 meses.
Em seguida, uma listinha de albúns conceituais:
THE INNER CIRCLE - EVERGREY
The inner circle é o quarto trabalho da banda sueca Evergrey, que vem alcançando um bom reconhecimento na cena justamente pela solidez de seus discos. A história que eles escolheram contar é bem calcada na realidade. Nas palavras do vocalista/guitarrista da banda, Tom S. Englund, “Ao longo do álbum acompanhamos uma pessoa frágil e com baixa auto-estima que abandona sua família para se juntar a um culto e que, devido a isso, provoca mudanças drásticas em sua vida”. Por “culto”, entenda qualquer forma de religião ou devoção, nas quais determinadas pessoas simplesmente entregam sua vida e vontade nas mãos de uma figura de liderança, que se intitula – ou é alçado à posição – de detentor ou único transmissor da verdade. A história mostra também esse personagem questionando seus sentimentos e idéias, na medida em que se encontra inserido no ambiente controlador desse culto.
Além de Tom S. Englund, o Evergrey conta também com Henrik Danhage (guitarra), Michael Hakansson (baixo), Rikard Zander (teclados) e Jonas Ekdahl (bateria). A banda contou ainda com a participação especial do quarteto de cordas da orquestra sinfônica de Gotemburgo. O Evergrey executa um metal progressivo que prefere deixar o virtuosismo um pouco de lado para investir mais no peso.
A versão nacional de The inner circles foi lançada no Brasil pela da Hellion Records e tem três faixas bônus gravadas durante a turnê do álbum anterior do Evergrey, Recreation day.
INVISIBLE CIRCLES - AFTER FOREVER
Imagine que você é uma garota adolescente cuja vida é um mar de medo e tristeza. Desde sua concepção, seus pais, duas pessoas ambiciosas cujo único objetivo na vida era o sucesso profissional, acreditavam que seu nascimento poderia uni-los novamente. Na cabeça deles, seu nascimento conseguiria salvar aquele casamento infeliz. Depois de quatorze anos, no entanto, o relacionamento dos dois vai de mal a pior e, agora, ambos apontam a sua existência como o fator primordial da não realização de todos os sonhos que eles tinham. Ainda tem mais: você está destinada a cometer os mesmos erros de seus pais quando se tornar adulta e constituir sua própria família. É esse o conceito criado pela vocalista Floor Jansen para Invisible circles, terceiro álbum dos holandeses do After Forever.
Invisible circles é um disco bem interessante. A parte gráfica, bem feita, traz enxertos do diário da personagem principal, que ajudam a entender o que ela está passando e completam muito bem o tema explorado em cada música. Além da história comovente e realista, as músicas em si também mostram que a banda está amadurecendo e tenta caminhar em uma direção diferente, com um som mais pesado do que aquele executado em seus dois trabalhos anteriores.
Sander Gommans (guitarra, vocais guturais), Bas Maas (guitarra, vocais), Luuk Van Gerven (baixo), André Borgman (bateria) e Lando Van Gils (teclados) completam a formação do After Forever para a gravação deste álbum, também lançado no Brasil pela Hellion Records. Pouco depois do lançamento do álbum, porém, Lando decidiu sair da banda.
STREAM OF CONSCIOUSNESS - VISION DIVINE
O Vision Divine fez um dos melhores álbuns conceituais que você provavelmente não ouviu em 2004. Mas não se culpe. O problema é que, até o momento, ninguém resolveu lançá-lo aqui no Brasil. O mais estranho é que seus dois primeiros trabalhos (Vision divine e Send me an angel) chegaram aqui pela Rock Brigade/Lazer Company Records. Talvez o motivo seja simplesmente porque o vocalista Fábio Lione (Rhapsody) deixou a banda. Tudo bem que Lione era o principal atrativo nas peças publicitárias dos álbuns anteriores, mas sua ausência não é justificativa suficiente para esse descaso. Afinal, seu substituto, Michele Luppi, mostra que pode muito bem substituí-lo e, ao lado de Olaf Thorsen (guitarra), Andrea Tower Torricini (baixo), Oleg Smirnoff (teclados) e Matteo Amoroso (bateria), colabora para esse que é o trabalho mais maduro da banda até o momento.
A história que move Stream of consciousness tem um quê de fantástico. Ela começa em um quarto de um hospício. O paciente ali confinado reconhece a música que o carcereiro escuta no rádio e começa a cantarolar. Subitamente sua mente embarca numa viagem de volta ao passado, revendo os motivos e eventos que o levaram de uma vida normal à completa loucura. Toda a sua vida fora guiada por uma única pergunta: qual o verdadeiro sentido da vida? Ao longo dos anos, ele busca pela resposta definitiva para essa questão e eventualmente alcança seus objetivos, pagando o preço com sua sanidade. Tudo isso embalado por um heavy metal melódico de primeira, com ótimas influências progressivas. Indispensável para os fãs do estilo, a versão importada do álbum pode ser encontrada na internet, sem muitas dificuldades.
USUAL TRAGEDY - KARELIA
Os franceses do Karelia também decidiram investir na criação de um álbum conceitual. Usual tragedy é o nome do trabalho que conta a história de um homem comum que sobreviveu às duas guerras mundiais. Na primeira, perdeu o pai, morto diante de seus olhos. Na segunda, lutou como um soldado, na esperança de um dia poder rever sua amada. Esperança que se mostra inútil, já que enquanto ele está nas trincheiras, ela acaba morrendo. A corrente de infortúnios que transforma sua vida enlouquece o ex-soldado, que acaba por encontrar a morte em um quarto frio de hospital. Sozinho e abandonado.
Usual tragedy tem dez músicas, sendo que nove mostram cada um dos diferentes estágios da vida do protagonista. A banda, formada por Matthieu Kleiber (vocal), Erwan Morice (guitarra), Gilles Thiebaut (baixo), Loic Jenn (bateria) e Bertrand Maillot (teclados), executa um heavy metal tradicional, não dispensando influências melódicas e progressivas. Para a gravação deste ótimo disco, a banda ainda contou com a participação de um coral, cuja principal responsabilidade são as citações em latim presentes no álbum.
AYEREON - ARJEN LUCASSEN
Falar em álbuns conceituais é falar de Ayreon, principal projeto do multi-instrumentista holandês Arjen Lucassen. Ao longo de sua prolífica carreira, Lucassen se dividiu em inúmeros projetos, com álbuns cujas produções são geralmente caracterizadas por um grande esmero e cuidado, desde a concepção e composição até a mixagem final das músicas. Não é à toa que o tecladista conquistou bastante respeito no cenário ao longo de sua carreira e, por isso, sempre se rodeia de grandes nomes do heavy metal mundial para levar a cabo suas obras.
Depois de quatro anos se dedicando a projetos paralelos como o Ambeon e o Star One, Arjen voltou a se dedicar ao Ayreon. O resultado é The human equation, álbum duplo que gira em torno da seguinte história: Um homem sofre um bizarro acidente automobilístico e acaba indo parar em um quarto de hospital, em estado de coma. Seu melhor amigo e sua esposa permanecem ao seu lado, tentando descobrir as causas do acidente, que aconteceu em plena luz do dia, em uma estrada deserta. Enquanto isso, dentro de sua mente, o acidentado se encontra preso em um estranho reino, onde as emoções que tentara ignorar ao longo dos anos adquirem vida e o confrontam o tempo todo. Aos poucos ele vai se recordando das causas de seu acidente e descobre que, se quiser acordar, terá que se esforçar para encontrar uma saída daquele reino.
The human equation é quase uma ópera rock. Além do instrumental bem afinado, calcado em um heavy metal progressivo que ora se vale de influências mais pesadas, ora mais eletrônicas, conta com diversos vocalistas, cada um assumindo um determinado papel na história. James LaBrie (Dream Theater), vive o papel do protagonista; Marcela Bovio é sua esposa, o próprio Arjen é seu melhor amigo e Mike Baker representa seu pai; já suas emoções são interpretadas por Mikael Akerfeldt (Medo), Eric Clayton (Razão), Devin Townsend (Fúria), Heather Findlay (Amor), Magnus Ekwall (Orgulho), Devon Graves (Agonia) e Irene Jansen (Paixão).
Ao todo, o álbum tem vinte faixas, cada uma correspondendo a um dia do coma do protagonista. A versão nacional traz, além do CD duplo, um DVD com um clipe e bastidores das gravações.
TEMPLE OF SHADOWS - ANGRA
Pra fechar com chave de ouro esse artigo, eu não poderia deixar de falar de Temple of shadows, último CD do Angra e também um álbum conceitual muito bem elaborado. O disco conta a história de um cavaleiro cruzado chamado Shadow Hunter. Ferido em uma batalha quando a Igreja Católica tentava retomar a Terra Santa dos muçulmanos, ele é salvo justamente por uma família de “infiéis”. Nisso, começa a questionar os valores do catolicismo, que prega o amor ao próximo, mas, ao mesmo tempo, não se importa em massacrar todos aqueles que vão contra sua doutrina. Ele acaba se casando com uma jovem pertencente à família que o ajudou a se recuperar. Algum tempo depois, Hunter e sua nova família precisam ir à Jerusalém onde, durante a invasão do exército cristão, sua esposa e filho são assassinados. Diante disso, o ex-cruzado se torna um peregrino, fundando sua própria religião. Desnecessário dizer que, por causa disso tudo, ele é perseguido e, eventualmente, capturado, torturado e finalmente morto pela Inquisição.
Além da ótima história, Temple of shadows também é uma prova definitiva de que o Angra não só se recuperou plenamente da separação ocorrida há cerca de cinco anos, quando três de seus membros fundadores deixaram a banda, como alcançou a maturidade neste seu sexto trabalho de estúdio. O quinteto, agora formado por Rafael Bittencourt (guitarra), Kiko Loureiro (guitarra), Aguiles Priester (bateria), Felipe Andreoli (baixo) e Edu Falaschi (vocal), está no auge de sua forma, chegando ao limite da fórmula speed/power/prog metal que consagrou a banda. E não é só isso. Até mesmo os músicos convidados a participar do álbum parecem ter sido escolhidos a dedo, com o objetivo de enriquecer o álbum. Afinal, não seriam tão surpreendentes as presenças de vocalistas como Hansi Kursch (Blind Guardian), Kai Hansen (Gamma Ray) e Sabine Edelsbacher (Edenbridge) em um álbum do Angra, visto que a banda é bastante conhecido no cenário. Mas, o que dizer da presença de um cantor consagrado por seu trabalho na MPB, como Milton Nascimento? Escute a faixa “Late Redemption” e tire suas próprias conclusões.
Não é exagero dizer que Temple of shadows é o melhor trabalho da carreira do Angra, mas também, na minha modesta opinião, um dos melhores discos de metal melódico dos últimos anos. E, por tudo isso, presença constante em todas as listas dos melhores álbuns de heavy metal de 2004.
Temple of Shadows foi lançado por aqui pela Paradoxx Music. E vale cada centavo gasto. Ouça e descubra porque a cada novo dia o Angra se estabelece como uma das maiores bandas de heavy metal do mundo.
SCARLET\'S WALK - TORI AMOS
Não tanto uma coleção de músicas, mais um romance sonoro. Scarlet\'s Walk é um álbum conceitual de Tori Amos. Tanto altamente pessoal quanto profundamente político, é um épico e uma jornada através da América que submete à prova o pensamento. Um viagem pelas estradas na tradição clássica de Kerouac, narrada por um personagem chamado Scarlet que é a própria Amos apesar de ser também toda e qualquer mulher.
"Scarlet está se pondo em meu lugar," diz Tori, "Você pode dizer que ela é baseada em mim. Ou talvez eu seja baseada nela."
Como em todas as boas viagens, pelo caminho Scarlet descobre muito sobre o mundo ao seu redor e ainda mais sobre ela própria. Sobre o passado e sobre onde nós temos estado e sobre aonde talvez estejamos sendo enviados.
Habitado por um elenco de personagens algumas vezes desesperados, mas sempre fascinantes, e rico em simbolismos e alegorias, [o álbum] é tanto uma viagem de auto-descobrimento quanto um exame das severas escolhas que nos encaram em um mundo que frequentemente parece ter perdido a sua bússula moral.
Parcialmente inspirado pelas estórias contadas pela mãe de Tori de sua história familiar Cherokee e pela crise de identidade na América contemporânea, é a mais desafiadora, ambiciosa e vívida criação da fértil imaginação de Tori Amos até hoje.
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Enfim...