Como dito acima pelo poisony (te amo, meu anjo ^^), acho que tristeza é uma das coisas que mais move a música. Tem canções que acabam comigo não por falarem de dor e sofrimento, algumas me atingem pelo jeito de tocar no assunto, pela melodia, pelo conjunto. Há músicas que me entristecem e há músicas que me fazem pensar em coisas tristes: são coisas diferentes. Há músicas tristes e há músicas que te fazem sentir triste: também há diferença. Às músicas.
Death Cab for Cutie, Transatlanticism - acho que uma das músicas mais perfeitas que existem. Fala de algo terrivelmente triste, mas tem a emoção necessária e não tem uma vírgula a mais ou uma nota a menos que o necessário para passar o que tem que passar. Mas vai ter pouquíssima duração na minha (nossa) vida. Não falta nada, afinal. ^^
Queen, The Show Must Go On - essa música quebra o coração legal. Tipo, é uma forma de dizer que talvez a vida não valha tanto a pena e se preocupar pode não ser o caminho, e isso saiu com a emoção perfeita. A cada vez que o Freddie canta "my make up may be flaking, but my smile... still stays on", sinto pedacinhos do meu cérebro responsáveis pelas minhas emoções se desfazendo em milhões de pedacinhos. Quando você acha que nada mais vale a pena, mas ainda tem no fundo do coração uma vontade de continuar lutando, mesmo que não consiga ver pelo que lutar. "I\'m never giving in - on with the show!". Brilhante, fascinante, e ainda assim terrivelmente simples. Amo a voz do Freddie nessa música, amo o instrumental e acho a letra uma das mais geniais que já vi: por mais dor que você sente, ainda vai continuar, não importa o quê. Essa música invariavelmente me deixa com os olhos mais úmidos, e invariavelmente escuto umas cinco vezes seguidas.
Tori Amos, A Sorta Fairytale - essa música é toda animadinha, suave, eu diria até meiga. E mesmo assim me parece tão simples e triste. Fala sobre um relacionamento em que as pessoas envolvidas acreditavam ser certo, e no fim não funcionou. Há um otimismo tocante e acho que isso me faz achar a música triste: "I was talking to you and I knew it would be a life-long thing" e depois "and I rode alongside till you lost me in the open road, and I rode alongside till the honey spread itself so thin". Tipo, ela arrasa totalmente pelo fato de cantar isso com uma quase alegria, uma tristeza resignada, sobre se entregar a algo e não ser o que você quis que fosse. A parte do "lost me, lost me..." é a mais sadicamente destruidora. E o clipe, apesar de eu achar esteticamente feio, passa bem essa imagem de pessoas incompletas investindo em algo e desejando com todas as forças que seja a relação perfeita, talvez sem realmente acreditar que seja.
Garbage, A Stroke of Luck - as pessoas que entram na sua vida e as coisas que te acontecem, por mais que sejam boas, são realmente uma bênção ou uma maldição? A Shirley canta isso com uma tristeza, lentamente, e a melodia parece dizer muito mais do que a letra - que até repetitiva é, e ainda assim funciona.
Garbage, Cup of Coffee - o final de relacionamento do ponto de vista da pessoa abandonada, em que ela se culpa pelo fim e fala sobre como está triste, mas de um jeito não exagerado. Ela não come, não consegue parar de pensar nisso, e se culpa dando a impressão de que é para não acabar odiando a outra pessoa. Tipo, a voz da Shirley nessa música é destrutiva.
Garbage, Drive You Home - algo bem parecido, mas no ponto de vista de quem abandona. Que não queria ter machucado e machucou. "I never said I was perfect, but I can drive you home".
The Gathering, The Mirror Waters (2003) - não é nem só a letra (falando sobre envelhecer, talvez uma visão mais otimista da morte), mas a introspecção na voz da Anneke, as reflexões, a melodia por si só. A parte do "dancers on winter winds, they dance... for me" é possivelmente a minha preferida, faz viajar totalmente e é do tipo que me faz pensar em algo triste, antes de me entristecer.
Garbage, Nobody Loves You - I CRAACKED A PIECE OF BROKEN GLASS. I CRACKED. A PIECE. OF BROKEN... GLASS. Culpa por não sentir nada, e isso de um jeito tão sério que parece que a pessoa preferia sentir toda a dor do mundo antes de não sentir dor alguma.
Alanis Morissette, Perfect - a clássica história dos pais que querem que seus filhos sejam tudo que eles mesmos não puderam ser. Mas do ponto de vista dos pais, que não vêem a loucura do que dizem: "vou viver através de você, fazer de você o que eu nunca fui. Se você for o melhor, talvez eu também seja, comparado a ele, a ela... estou fazendo isso pela droga do seu bem, você vai compensar tudo que fiz de errado... qual o problema? Por que está chorando?". E a música começa suave, vai ficando mais agressiva e no final volta à suavidade... para a Alanis dizer: "se esforce um pouco mais, isso não foi rápido o bastante para nos fazer felizes. Nós vamos te amar do jeito que você for..." - e aqui entra uma pausa - "... se você for perfeito". Tipo, meio que na aorta.
The Gathering, In Motion - ouçam qualquer versão dessa música, qualquer uma das duas partes. Mas é tão simples e todo o conjunto - voz, letra, instrumentos, melodia - fala mais que qualquer palavra.
The Gathering, Like Fountains (2003) - blaming myself, blaming at last... and please forget. You seem to go on when you are that strong and fighting, whatever it takes your will never breaks... you last and last. And I will be there for you, my dear.
Epica, Feint - pode soar uma coisa tremendamente forçada, mas tem uma poesia tão forte nessa música que mesmo se a Simone cantasse com toda a frieza do mundo ainda seria linda.
Stream of Passion, I\'ll Keep on Dreaming - a visão de uma mãe após ver o filho se suicidar. É levemente destrutiva. Levemente, tipo. Nem tanto pela melodia, mas a Marcela canta de um jeito tão incrédulo que, ah, vai se ferrar.
Legião Urbana, Acrilic on Canvas - essa letra é tão genial e linda e perfeita que eu viajo completamente na música. A comparação da mágoa com uma pintura e o retrato da saudade é lindo. E o final é... porra, odeio me repetir, mas é genial. "É só você que me provoca essa saudade vazia, tentando pintar essas flores com o nome de amor-perfeito e não-te-esqueças-de-mim".
After Forever, Forever - porque a dor na voz do Bas é linda. O fato de eles cantarem juntos e suas frases se completarem me dá uma sensação estranha, e toda a melodia dá um ar de dor.
Garbage, It\'s All Over But the Crying - lembra Cup of Coffee, mas dessa vez a pessoa desprezada sabe que não tem culpa.
Tem tantas outras músicas, mas melhor eu parar. """XD