"Nós somos músicos, não modelos", diz a vocalista do Evanescence, Amy Lee, posando para a foto com John LeCompt, um dos dois guitarristas da banda, na sala de gravação da Sony Studios de Nova York. Quando Lee poderia estar vendendo o segredo da boa sorte, sua incongruência golpeia: Lee, vestida em um corpete aderente acentuado com uma saia bufante, lançadas para trás suas tranças de corvo colorido e ajustadas em grandes partes, olhos fixados na câmera. Sua expressão caleidoscópica mostra diversas personalidades: feroz, sábia, mágica. Contrastando, LeCompt, um poderoso rapaz do sul com tatuagens nos braços tão grandes quanto o dia é longo, vê o estúdio como uma continuação de seu trabalho. Uma vez a caçada concluída, Lee, LeCompt, e o violinista convidado, Dave Egger, pegam seus instrumentos para animar a gravação de hoje do AOL Session. Lee senta atrás do piano, esforçadamente executando a varredura das linhas do portamento que ressonariam por todo o estúdio. E então sai assustadoramente aquela hábil voz pelas voltas etéreas, como se estivéssemos numa ópera ou numa catedral.
Quando o rico som do Evanescence é gravado, sem as guitarras de heavy-metal, é como estar nas nuvens, com quatro músicas compostas pela banda para o novo álbum, \'The Open Door\'. Lee, familiarizada com a harmonia do piano, faz uma cara estranha. "Esta coisa foi ajustada?", ela pergunta. Quando ela está assegurada de que seu instrumento foi ajustado pela manhã, assente com a cabeça, relutantemente. "Eu só quero que as canções saiam direitas", ela diz. "Isso é tão importante pra mim... Isso é minha vida."
E, segundo ela, é uma vida que foi preenchida, recentemente, com triunfos e tumultos. Evanescence explodiu para fora de Little Rock, Arkansas, em 2003. Seu majestoso primeiro álbum vendeu mais de 14 milhões de cópias e lhes rendeu dois Grammys. Mas por trás de todo este sucesso e aclamação, problemas perseguiram o grupo. O uso de drogas
¹ e desencorajamento levou à partida de dois membros da banda, e pelas circunstâncias que começaram a gravar \'The Open Door\', Lee se sentiu "drenada, gasta, totalmente sozinha... mas pronta pra criar". "Todas as coisas que aconteceram a nós foram boas para ajudar a compor as músicas", ela diz. "Eu não acho que você não precisa ser miserável para fazer uma grande obra de arte. Eu tenho mais inspiração para falar sobre estar ferida ou irritada do que pra compor sobre sentimentos bons. Quando eu me sinto bem, eu não quero escrever, quero apenas comemorar."
Quando estão gravando, os problemas desaparecem: no final de 2005, o guitarrista Terry Balsamo, que recentemente tinha se juntado à banda, sofreu um derrame. "Um terrível golpe para todos nós", diz Lee. "Terry e eu apenas tivemos alguma sorte mágica enquanto escrevíamos. Ele tinha terminado de gravar suas guitarras apenas uma semana antes [do derrame], e isso é estranho e irônico."
A luz verde é dada e Lee, LeCompt e Egger assumem seus lugares e começam sua performance. A primeira a vir é \'All That I\'m Living For\', com uma adorável letra que fala das alegrias e dificuldades pelo qual a banda tem passado. Esta versão não apresenta toda a furiosidade das guitarras chamuscadas, e a combinação de piano, violão e violino permitem qua a beleza dos líricos emerjam. A voz de Lee apresenta uma maravilha natural: Numa mesma frase ela pode imitar aos anjos e a uma princesa num castelo. Após ter concluído a canção, ela está decidida: O piano, em sua opinião, está definitivamente fora de tom. Rapidamente, um afinador de piano é despachado, e as cordas são testadas.
O tempo passa lentamente. Lee toma um gole de uma bebida e acha que há uma mal função no piano -- e nela mesma. "Eu provavelmente poderia ter tocado o piano daquele jeito mesmo. É que sou muito perfeccionista, obcecada pelo meu trabalho. Eu não sei por que sou tão determinada a ponto de \'derrubar uma porta\' e concluir todos esses objetivos que tenho."
Uma hora depois, os três músicos retornam a seus instrumentos. Depois da forte e perfeita \'All That I\'m Living For\' seguem com \'Lithium\', um doloroso número que Lee conta que "não tem nada a ver com o Nirvana. É uma metáfora para o sentimento... a luta entre a felicidade e o querer permanecer em uma situação negativa, porque eu amo minha tristeza".
Após arrepiar com \'Call Me When You\'re Sober\', um som inspirado no fim do relacionamento entre Lee e Shaun Morgan, vocalista do Seether, a banda fecha com \'Good Again\'
², a música mais longa do novo álbum, que mostra o começo de um novo relacionamento. "Eu achei que era importante terminar o álbum com um raio de luz", diz Lee. "Nós estamos mergulhados em drama, mas somos apenas pessoas, e precisamos de esperança em nossas vidas, assim como todo mundo".
¹ Nota do Tradutor: Provavelmente o uso de drogas se refere a "entorpecentes" usados por Ben Moody que, segundo Amy, o tornava insuportável
² Apesar de assim ter sido apresentado pela redação do AOL Sessions, o correto seria "a banda fecha com \'Good Enough\'" ~ Original por Joe Bosso
~ Tradução por Lucas Soliguetti / Aslan
Créditos: Fórum EB