Gente, eu estava lendo uma reportagem do The New York times, que fala sobre a volta do Evanescence e outras bandas. Na verdade, o Evans é colocado como tentando "recuperar sua posição". Confesso que fiquei meio indignado com a forma como eles descrevem a Amy. Dêem uma olhada:
Duas bandas se preparam para o bisÉ falta de educação nomear bodes expiatórios, mas algo tem que ser dito. Até agora, 2006 vem sendo um ano de quedas nas vendas de CDs. E parece que as bandas de rock, em particular, não estão fazendo muito pela situação. Quando a Nielsen SoundScan nomeou os 10 CDs mais vendidos do primeiro semestre de 2006, as honras principais foram para a bem-sucedida trilha sonora da Disney para o filme "High School Musical", que vendeu mais de 2,6 milhões de cópias. O único álbum de rock na lista foi "All the Right Reasons". A notícia é ruim, mas piora: o álbum está na décima posição. Pior ainda: vendeu um pouco mais de um milhão de cópias. Mas o pior de tudo: foi feito pelo Nickelback. (Aquele risível grupo neo-grunge que virou a banda de rock preferida da América).
Nesse outono, algumas bandas diferentes tentarão recuperar posições: Evanescence e The Killers. Cada um lançou um novo single, e estão programados para lançar um novo álbum no dia 3 de outubro. Porém, tem muito pouco em comum a não ser sua falta de colegas. Ambos estão retornando após debutarem com álbuns muito bem-sucedidos. Dificilmente outras bandas poderão dizer o mesmo.
A história do Evanescence é prova que fama e popularidade nem sempre andam juntas. O primeiro CD do Evanescence, "Fallen" (Wind-Up), foi lançado em 2003. (O álbum incluía algumas regravações de um CD independente anterior chamado "Origin"). "Fallen" gerou uma série de hits, começando com "Bring me to Life". A música resumia bem a fórmula do grupo: guitarras ásperas e pesadas,; sons eletrônicos no meio e os vocais cristalinos e misteriosos de Amy Lee. Desde então, "Fallen" vendeu mais de 6,5 milhões de cópias nos EUA; isso é cerca de 1 milhão a mais do que o triunfo de 2005 de Mariah Carey, "The Emancipation of Mimi", e o Evanescence fez isso muito mais discretamente.
Antes de "Fallen", o Evanescence era cultivado na cena musical cristã contemportânea. Porém, um pouco mais de um mês após o lançamento de "Fallen", Ben Moody, o guitarrista e compositor que fundou a banda com Lee, disse numa entrevista estar apavorado em ver "Fallen" nas paradas cristãs. Esse foi o truque: as lojas cristãs retiraram o CD de venda, e a controvérsia ajudou a apresentar a banda para uma audiência maior.
Mesmo assim, mesmo agora, Lee parece ser uma favorita cult: uma figura reclusa, às vezes um pouco
metida, meio deslocada numa era definida por auto-promoção animada. Mas o fato de seu culto de fãs ser grande é uma boa coisa, pois ela está perto de ser o último membro remanescente da banda que sobreviveu ao sucesso. Mark Hodges, o tecladista, saiu após o lançamento de "Fallen"; Moody saiu após pouco mais de um ano da famosa entrevista e, algumas semanas atrás, o baixista William Boyd se tornou o último desertor. (No website do Evanescence, Lee escreveu que Boyd "quer ficar um pouco mais próximo da família).
O novo single do Evanescence chegou à Internet alguns dias atrás, e as estações de rádio começaram a tocar a música na terça-feira. A música se chama "Call Me When You\'re Sober", e é um clássico Evanescence:
bombástica, meticulosamente produzida (os vocais de Lee são duplicados para o backing) e extremamente viciante. Começa como uma balada ao piano, desvia para o hard rock e cresce até um refrão pop-orquestral grandioso, para depois finalizar numa tênue e gloriosa ponte.
Lee provavelmente tem sorte (mesmo que nunca assumiria isso), pois a música chegou acompanhada por seu próprio pequeno escândalo. Ela namora Shaun Morgan, vocalista da banda Seether, que recentemente anunciou estar procurando tratamento para vícios "que não consegue deixar sozinho".
A música certamente parece ecoar o script de sua vida real. Lee canta, "Você nunca me liga quando está sóbrio / Você só me quer porque acabou". E o vídeo, que estréia na MTV americana na segunda-feira (os executivos da gravadora vêm lutando para evitar que apareça no YouTube), acaba com Lee andando sob uma grande mesa em direção a um homem que claramente parece não saber onde está. "Não me ame/Pegue suas coisas/Já me decidi", ela canta, e então faz algo que realmente machuca: ela sorri.
Os espectadores também vão perceber outras pessoas no clip. Estes seriam os músicos que lembram muito uma banda de apoio para Lee. Enquanto ela trabalha para reproduzir um resultado (6,5 milhões) que parece irreproduzível, ela parece fazer isso mais ou menos sozinha. O clipe gesticula uma metáfora: nele, Lee é literalmente jogada aos lobos (ou, pelo menos, colocada entre eles). Mas se alguém parece intimidado, esse alguém não é ela.
Existe muito menos drama na história do The Killers. A banda de Las Vegas está entre as dezenas de bandas de dance-rock certinho que as grandes gravadoras têm lançado nos últimos anos. Mas ao contrário da maioria delas, o Killers fez sucesso com seu álbum de estréia, "Hot Fuss" (Island Def Jam), em 2004: a banda vendeu mais de 3 milhões de cópias, ultrapassando os fãs de Kelly Clarkson e Yeah Yeah Yeahs.
Enquanto o Evanescence se posicionou contra a cena cristã da qual os membros não se sentiam mais parte, o Killers tratou de se distanciar de bandas que não respeitavam. O vocalista da banda, Brandon Flowers, disse recentemente à MTV: "emo, pop-punk - chame do que quiser - são coisas perigosas. Não queremos odiar ninguém, e nunca conhecemos o Fall Out Boy, mas existe uma criatura dentro de mim que quer socar essas bandas até a morte". (Depois disso, ele se desculpou, mais ou menos).
Parte do segredo por trás de "Hot Fuss" é possuir mais do que um toque de emo, juntamente com linhas de baixo e sons de teclado emprestados de outro gênero igualmente teatral: o new wave. (Não se sabe ainda onde, exatamente, ele encontrou tal sotaque semi-inglês, porém é difícil odiar o jeito absurdo que canta a palavra "promenade").
Mesmo que o sucesso de "Hot Fuss" não se compare a "Fallen", as chances do Killers parecem bem maiores do que do Evanescence, parcialmente porque a banda continuou intacta. E você já pode ouvir alguma gracinha em "When You Were Young", o primeiro single a ser lançado do novo álbum do The Killers.
Não é surpreendente ouvir Flowers roubando alguns passos de Ric Ocasek. (Quando ele canta "Let\'s take it Easy" você quase espera uma carta de começa-e-desiste aparecer no meio da música). O que é mais inesperado - e mais excitante - é a sugestão que a banda ficou melhor, ao fazer músicas que soam audaciosas e melancólicas ao mesmo tempo. E melhor ainda, o som de Flowers parece ainda mais ambicioso: ele canta como se fosse um homem ansioso a conquistar o território dos Strokes, Coldplay e todos os outros. Porquê não? Alguém precisa.
:angry:
Um abraço
