Não encontrei nenhum tópico sobre eles, então...
Alguém aí gosta?
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Tem muita gente por aí que torce o nariz à menor menção de “gothic metal” e “vocal feminino”. Também, não é por menos: de uns três anos pra cá, o estilo foi massacrado por uma onda de popularidade que fez com que surgissem dezenas de bandas de pop rock auto-intituladas “góticas”. E, justamente no início desse boom, no ano de 2003, o Xandria lançaria seu primeiro álbum, Kill The Sun. O guitarrista Marco Heubaum é categórico: “É claro que algumas pessoas pensam que somos apenas um produto desta onda. Mas, primeiro de tudo, se você ouvir nossa música, vai encontrar muito mais que apenas os padrões que muitas dessas bandas seguem. Além disso, o Xandria nasceu muito antes de essa moda começar. Quando eu escrevi as canções de Kill The Sun, nunca tinha ouvido falar de Nightwish ou Within Temptation. E Evanescence nem existia naquela época.”
De fato, Kill The Sun já tinha tudo para ser um sucesso: letras bacanas, instrumental pesado e a angelical voz de Lisa Middelhauve compunham uma obra de excelente qualidade, que passaria despercebida por muitos fãs – afinal, ninguém agüentava mais ouvir falar de vocalistas líricas em bandas de metal.
Mas, qual não foi a surpresa quando, cerca de um ano depois, o Xandria retornou com um novo álbum. Ravenheart era bem menos sombrio que seu antecessor, mais complexo e repleto de elementos folk. Lisa era ainda uma vocalista predominantemente lírica, mas já arriscava algumas interpretações mais variadas. E se alguém tinha dúvidas de que o Xandria tinha vindo pra ficar, está aí o recém-saído do forno India, o mais novo álbum dos alemães, que é tudo, menos um álbum qualquer de gothic metal.
Na verdade, o disco traz uma mistura tão variada de elementos de diversos estilos que até o próprio Marco concorda que é difícil enquadrá-lo em algum deles. “Certamente, há detalhes de gothic em nossa música, mas nós definitivamente não somos uma banda comum de gothic.” E ainda completa: “Em Kill The Sun, eu gostava mais do lado simples e pesado do que muitos chamam de gothic metal, inspirado por bandas como Paradise Lost ou Tiamat, e em Ravenheart nós fomos profundamente influenciados por um estilo mais sinfônico e também pelo folk. Por isso, todos os nossos álbuns têm algo novo.”
As diferenças entre India e seus antecessores não param só no formato das canções. Lisa também adotou uma postura mais energética e abandonou parcialmente os manjados vocais líricos, conferindo mais emoção à interpretação das canções. Nas palavras do próprio Marco: “É evidente que a voz dela tem um grande significado na música do Xandria. Nossa música possui diversas facetas e ela sempre incorpora elementos interessantes com sua voz. Há muitas cantoras que sempre soam iguais e eu estou feliz em tê-la escolhido como vocalista logo que nos conhecemos, há muitos anos.” Traduzindo: se você acha que o Xandria vai cair no lugar comum só porque tem uma garota nos vocais, pode esquecer.
E se engana também quem pensa que a garota é só uma cantora clássica se aproveitando da popularidade do gothic metal para impulsionar sua carreira lírica. Lisa faz questão de assegurar que não está na banda só de passagem e que o metal sempre foi importante em sua vida: “Definitivamente, o Xandria é um projeto para a vida toda! A banda faz parte da minha vida de maneira tão profunda que eu jamais conseguiria deixá-la de lado. Talvez algum dia eu lance algumas de minhas canções mais leves em um trabalho solo, mas isso é assunto para o futuro. O fato de eu ter sido educada em canto clássico não significa que eu ouça apenas música clássica. Eu sempre gostei de rock e de metal. Se pudesse escolher, queria ter a voz de um vocalista masculino de rock!!!” Ou seja, a garota é chegada num bate-cabeça.
Lisa faz questão de esclarecer que é muito bem tratada pelos colegas de banda – afinal uma dama em meio a um bando de marmanjos tem algumas necessidades especiais. “Eu certamente tenho algumas regalias quando estamos em turnê. Por exemplo, eu não preciso carregar equipamento por aí, pois os rapazes do Xandria são verdadeiros cavalheiros [risos]... E enquanto eu troco de roupa antes e depois dos shows, eles saem do quarto, de forma a manter minha privacidade. Ser a única garota nessa banda é legal. Se houvesse alguma outra garota nós provavelmente brigaríamos o tempo todo. Rrrrrroaarrrrr [mais risos]!” Tá bom ou quer mais?
E se você espera ver o Xandria ao vivo, saiba que não é por falta de vontade que os caras não apareceram por aqui ainda. “Nós adoraríamos ir ao Brasil, pois sabemos que as pessoas são muito legais aí”, diz Marco. “Nosso outro guitarrista, Philip, passou um ano no Brasil e nos disse isso! Ele realmente gostaria de visitar este maravilhoso país novamente... Por isso, galera do Brasil, esperamos ver vocês o mais cedo possível.”
Fonte: Rock Brigade